O combate à extrema-direita começa no combate à pobreza e às desigualdades sociais! *

A esquerda tem de estar aonde deve: ao lado de quem trabalha ou trabalhou ao longo de uma vida, dos desempregados/as, dos/as trabalhadores/as precários/as, dos/as reformados/as e pensionistas que têm reformas e pensões de miséria, dos/as que não conseguem pagar a renda de casa ou amortizar o crédito à banca. Deve estar ao lado do trabalho contra o capital!

Parece que para alguns/mas a luta do trabalho contra o capital já não faz sentido… Quem tem este pensamento, mais tarde ou mais cedo será ultrapassado/a pelos diversos movimentos sociais que imporão uma nova ordem nas relações políticas/económicas e sociais.

A extrema-direita tem vindo a crescer nos meios mais pobres e abandonados do país como no Alentejo e em particular no Alto Alentejo, exemplo: Portalegre que tem sido abandonado pelo poder político e pelos próprios partidos de esquerda, em particular pelo Bloco e PCP. Distrito pobre, desertificado e a ficar despovoado e difícil para estes partidos elegerem deputados à A.R…

Porquê gastar energias em distritos que não elegem deputados? Porquê gastar dinheiro em campanhas se não há massa crítica? Porquê perder tempo com indigentes?

Esta visão sobre o interior empobrecido e desprezado não é de certeza de quem se intitula de esquerda. É um pensamento de uma pequena burguesia acomodada ao “arco do poder” e que vê apenas o calculismo político da eleição de deputados substituindo a intervenção política junto dos que mais sofrem.

No interior vive gente! Gente que desenvolve o seu próprio intelecto na luta diária pela sua sobrevivência, que sofre e que resiste a todas as aldrabices do poder político, com a sua resiliência com que os alentejanos em particular estão bem calejados…

Concelhos como Monforte e Avis, onde a CDU tem maiorias nas respetivas Câmaras Municipais foi onde o fascista André Ventura teve a maior expressão eleitoral para as presidenciais. Porquê? Será só pela forte presença da comunidade cigana nesses concelhos? Com certeza que não! A resposta tem de ser encontrada no plano político e esse é sem dúvida na falta de resposta dos diversos governos no combate às desigualdades sociais e de uma política de inclusão social das minorias étnicas que no interior têm grande presença.

A esquerda não pode nem deve esquivar-se à resposta política no concreto e deve assumir como suas bandeiras sem meias nem peias, isto é: apresentar propostas políticas concretas e ao mesmo tempo apoiar nas ruas as reivindicações de quem luta contra as desigualdades sociais. Sair das suas sedes e articular a luta de rua com a atividade parlamentar pois foi para isso que os seus deputados foram eleitos.

As próximas eleições autárquicas poderão dar um passo importante na intervenção local e no apoio às estruturas de base, núcleos e concelhias, a par de uma intervenção parlamentar articulada com as lutas de rua dos diversos movimentos sociais.

Quanto mais a esquerda assumir o combate à pobreza e às desigualdades sociais de forma continuada, mais dificuldades a extrema-direita tem em cavalgar a onda da fome e da miséria!

* António Ricardo

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