Os oportunistas não dormem *

Ano eleitoral é hora do “salve-se quem puder”.

As eleições estão próximas. Está aberto o caminho que leva os oportunistas em busca de mordomias, das glórias do poder, do prestígio, dos salários confortáveis, num país que aparece a meio da tabela, longe dos 332 euros mensais fixados na Bulgária, mas também tão distante dos 2.202 euros praticados no Luxemburgo.

Lutam contra o sistema e querem capitalizar o mal-estar de todos os descontentes. Alimentam-se apenas do descontentamento do eleitorado e não olham a meios para atingir os seus fins.

Os novos e os velhos candidatos. Não pensam duas vezes para mudar de partido, usam os partidos como barriga de aluguer, desde que os seus interesses mais imediatos estejam assegurados.

Existe uma espécie muito comum de candidato/político, aquele que, sem a menor cerimónia, se transforma noutra pessoa. Passa a cumprimentar toda a gente, a interessar-se pelos problemas das pessoas mais simples, a dedicar a sua atenção a todos, ricos ou pobres, a olhar nos olhos na tentativa de transmitir franqueza e sinceridade.

Passadas as eleições, volta tudo à normalidade.

Perante uma derrota, o lobo tira a pele de cordeiro, regressa ao seu estado de natureza e desaparece das ruas, já não tem que se dar ao trabalho de continuar a fingir. É este o retrato do mais puro oportunismo político.

Perante uma vitória, não se faz de desentendido. Ávido pelo poder, salta para cima do bolo para garantir logo a sua fatia. Esquece todas as promessas até que venha uma nova campanha eleitoral. Como o povo tem memória curta, voltará e repetirá a mesma cantilena.

O político oportunista é como Jano, ou Janus, um deus da mitologia romana que tinha duas caras: uma que olhava para a frente e outra para trás.

Lamentavelmente, os nossos políticos oportunistas são mais que um simples Jano, têm várias caras, cínicas e sem resquício de vergonha, passam a vida inteira a representar e a traír, sendo eleitos e reeleitos.

Falar de política é falar de liberdade, de solidariedade, é dizer de que lado estamos e as causas pelas quais estamos dispostos a mobilizar-nos.

Não nos podemos demitir!

* Maria Elisa Antunes

Lisa Antunes – Candidata do Bloco de Esquerda – Correio de Amarante

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