Pandemia – necessidades e desigualdades do ensino à distância *

Nesta fase de pandemia, pela qual todos nós passamos, é óbvio que os nossos governantes bem como as autoridades sanitárias têm a obrigação de zelar pela saúde pública de todos nós e assumir as medidas absolutamente necessárias para esse efeito.

Foram tomadas medidas que cercearam a nossa liberdade de circulação e até direitos dos trabalhadores, impuseram-nos confinamentos que continuam a causar transtornos, quebra brutal de receitas a micro e pequenas e médias empresas, e, especialmente, medidas que promovem as desigualdades, como por exemplo às nossas crianças e jovens e, por analogia, aos seus pais e encarregados de educação, através de uma das medidas que deve se revertida – gradualmente e com toda a segurança – como seja a do já muito falado ensino à distância.

É certo que para a melhoria dos números da pandemia, esse modo de ensino – entre outras medidas – contribuiu e de que maneira para que tal fosse uma realidade. Do mesmo modo, também ajudou que o SNS e os hospitais em particular, deixassem de sofrer a forte pressão com que até agora – e diga-se que com muita dificuldade – estavam constantemente a debater-se.

Apesar dos bons resultados, de que num futuro não muito longínquo iremos certamente colher frutos – e quando afirmo isto refiro-me a todos nós, alunos, professores, pais ou encarregados de educação, bem como a todos os portugueses que ansiosamente aguardam o fim deste “pesadelo” que nos assolou, o vírus – SARS-CoV-2, é certo que teremos que nos habituar a viver de maneira diferente daquela que há muitos, muitos anos, era o nosso modo de vida normal. Mas não podemos permitir que novos fatores de desigualdade e de empobrecimento surjam.

Essencial, além da preservação das nossas vidas, que à data de elaboração deste texto são dadas como perdidas cerca de 16.000, será de tentar – gradualmente – fazer com que o ensino deixe de ser à distância e a pouco e pouco volte à normalidade, iniciando-se esta pelas crianças, de seguida os adolescentes e quando a situação se encontrar mais controlada retomarmos em geral o ensino presencial.

Torna-se necessário por vários motivos, mas por dois em especial: maior dificuldade na aprendizagem e mais desigualdade no acesso à mesma.

Quanto à primeira, está cientificamente comprovado que o presencial é mais vantajoso e frutuoso que o ensino à distância – este mais melancólico, desinteressante e menos atrativo; costuma dizer-se que a presença e a interação com os professores e o convívio entre alunos ajudam e muito ao sucesso na aprendizagem e à tão importante socialização.

No que respeita à segunda, não menos importante, é a desigualdade de condições de acesso ao ensino que origina, agravando as desigualdades económicas e sociais já existentes. O ensino presencial é mais democrático, permite que a atenção da Escola seja exercida com maior eficácia e enfrentar de forma mais direta as dificuldades.

Assim sendo e com as devidas cautelas, desejamos o regresso do ensino tal como o conhecemos e recebemos – de forma presencial – há várias décadas. Assim o abrandamento da pandemia o permita.

* António Ramoa

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