NO RESCALDO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS… *

Estou a escrever este artigo no rescaldo dos resultados das eleições presidenciais após uma noite mal dormida.

A extrema-direita chegou a Portugal com o seu discurso do ódio, xenófobo, racista, machista, homofóbico, embalada por palavras de “salvação da Pátria” e de “mudança”. Até me custa escrever esta palavra, mas foi assim para as populações do interior do país, abandonadas à sua sorte, onde em quase todos os distritos André Ventura ficou em segundo lugar e também no Alentejo, onde ficou à frente de João Ferreira do PCP.

O centrão ganhou (Marcelo+Costa) e o PS faltou ao combate à extrema-direita, onde a maioria dos seus militantes se afastaram do apoio a Ana Gomes e cujo segundo lugar foi conseguido com votos de apoiantes do BE e do PCP, pela consciência que tiveram do perigo em que estávamos colocados e continuamos a estar.

Repudio completamente as palavras do Presidente do PS ao afirmar que “Ana Gomes foi vítima de si mesma”. Que vergonha!

Eu votei Marisa Matias, mas não condeno quem do BE foi votar Ana Gomes.

Marisa Matias não merecia o resultado que teve, mas isto também foi fruto da falta de debate interno no BE sobre as Presidenciais e de uma estratégia que à partida sabíamos que ia falhar. Francisco Louçã na noite das eleições, na SIC, empurrou para debaixo do tapete a derrota de Marisa Matias, falando logo do PCP e das esquerdas. Nem uma palavra sobre a Marisa Matias!

É evidente que houve uma derrota das esquerdas. Os votos de Marisa Matias e de João Ferreira juntos são muito menos do que os votos do candidato da extrema-direita.

Já muito se tem escrito sobre o avanço da extrema-direita na Europa e em outros países do mundo. O falhanço das políticas neoliberais criando maiores desigualdades económicas e sociais abrem campo para a entrada do falso discurso de mudança das ideias conservadoras e fascistas.

Sabemos que o combate a estas ideias se faz melhorando a vida dos/as trabalhadoras, criando outras condições sociais, pelo reforço do SNS, da escola pública, etc, etc.

Contudo não podemos negligenciar o combate às ideias da extrema-direira. O combate ao discurso de ódio, segregacionista entre “bons” e “maus”, contra as mulheres, contra as liberdades.

Tenho de ter uma palavra de apreço à Marisa Matias, pela forma como defendeu os direitos das mulheres, como envolveu mulheres trabalhadoras na sua campanha. Mas isto não chegou, como sabemos.

Estamos num quadro de reconfiguração da direita, onde o centro direita vai ganhar força e com a extrema-direita a empurrar o PSD para possíveis alianças de forma a formar governos.

O BE tem de analisar muito bem a política que tem vindo a seguir. Se o PS puder prescindir do BE e do PCP com uma aliança ao centro vai fazê-lo. E não vale a pena andar a mendigar novas “geringonças de esquerda”.

Estes resultados presidenciais vão influenciar muitas das estratégias a definir à esquerda e à direita.

Que o BE saiba na próxima Convenção encontrar um caminho independente de esquerda, com claras demarcações de classe, onde as políticas de identidade também estejam presentes e que aponte verdadeiros caminhos de mudança neste país.

* Manuela Tavares

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