TAP – Quem tem lucrado com a crise? Quem a deve pagar?

Solidariedade com os trabalhadores da TAP!

O ministro mais à esquerda do Governo diz que encontrou a solução para a crise da TAP: despedir mais de dois milhares de trabalhadores (para além da não renovação de centenas de contratos de trabalho precários) e fazer cortes brutais nos salários dos que ficarem.

Porque não se pediu responsabilidades à gestão privada?

Solução “inédita”? Não, não é inédita. Não sabem fazer mais nada!

A justificação: é exigência da Comissão Europeia para autorizar os créditos do Estado à TAP. E o plano do Governo ainda está sujeito à aprovação da Comissão.

A pergunta que se põe à partida é simples: não será para isto que servem, nesta situação de crise nunca vista, as “bazucas” anunciadas? Não servem para garantir a segurança dos trabalhadores e suas famílias e impedir a desagregação social que resulta do desemprego e de cortes dos salários? Servem para fazê-los pagar a crise com a miséria e o desemprego?

A TAP é uma empresa importante para o nosso país. Será que, depois de tanto esforço exigido aos trabalhadores e às suas famílias, ainda iremos assistir à entrega de parte da TAP à Lufthansa?

Por todo o país, são cada vez mais os trabalhadores despedidos. A pobreza e mesmo a fome alastram pelas cidades e vilas.

Ninguém pode duvidar de que a “reestruturação” da TAP é a preparação daquilo que espera dezenas ou centenas de milhares de trabalhadores portugueses de todos os ramos.

A GALP, por exemplo, que, em 2019, teve lucros superiores a 500 milhões de euros e é controlada pela família Amorim, a família mais rica de Portugal, já anunciou o desmantelamento da refinaria de Matosinhos, sem acautelar os milhares de despedimentos diretos e indiretos que terão consequências dramáticas para o tecido económico e social da região. Já o denunciou a própria presidente da Câmara Municipal.

A destruição de empregos é sempre a resposta do capital para se tentar recompor das crises e encher ainda mais os seus bolsos.

Os 643 multimilionários mais ricos dos Estados Unidos – referência para os seus parceiros europeus — já haviam ganho 845 mil milhões de dólares nos últimos seis meses. São 4 vezes o PIB português.

No final de 2020, a capitalização bolsista das “cinco grandes” da tecnologia atingia €7 biliões de euros (metade do PIB de todos os países da UE juntos), o dobro do valor no início de 2019.

Proporcionalmente, os custos salariais actuais da TAP serão de menos de €600 milhões/ano. A “poupança” prevista no plano de Pedro Nuno Santos à custa do corte de 230 milhões em custos salariais representa 5% do que o Estado prometeu (e tem cumprido) entregar ao Novo Banco/Lone Star, decorrentes de um acordo fraudulento que, à partida, deixava clara a rapina ao erário público. 

Os trabalhadores da TAP, como os da GALP e todos os outros, não têm qualquer responsabilidade na crise. Não há razão para serem eles agora a pagá-la, enquanto os lucros ficaram nos bolsos do grande capital.

A luta dos trabalhadores da TAP para travar os planos de desmantelamento e destruição é a luta de todos. Ganhar essa luta é importante para todos os trabalhadores deste país.

A solidariedade dos trabalhadores que em toda a Europa estão ameaçados ou já estão a atravessar situações semelhantes é fundamental e manifesta-se em acções de resistência e luta.

O emprego e o salário é uma vez mais o factor de “ajustamento” das economias dos  países europeus da UE. Esta União Europeia continua a ser o torniquete letal a que a Comissão sujeita os povos e os trabalhadores.

A União de que os trabalhadores europeus precisam virá a resultar da sua luta solidária contra esta política e pelo bem-estar comum.

Os trabalhadores precisam dos seus sindicatos e organizações para se defenderem.

Apelamos a toda a solidariedade aos trabalhadores da TAP e de todas as empresas ameaçadas e às medidas de luta que decidirem.

A hora exige uma grande unidade de resistência dos trabalhadores para vencer esta batalha, um movimento unido para derrotar as políticas que só arrastam miséria para quem trabalha.

As exigências são simples e claras: proibição efetiva dos despedimentos e pagamento integral dos salários.

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