Contra o 25 de Abril de 2020, a campanha orquestrada pela extrema-direita.

«Ninguém está a propor que a Assembleia da República funcione excepcionalmente a 25 de Abril. Mas há quem ache que deve fechar excepcionalmente a 25 de Abril».

As comemorações parlamentares foram aprovadas por 90% dos deputados representados no parlamento, que fique claro. O CDS votou contra a Constituição em 1976, portanto nada a estranhar.

A extrema-direita, os revanchistas contra a democracia, monárquicos desestabilizadores e reaccionários, os que buscam ter agenda política, os que procuram 3 minutos de visibilidade, os tristes naïfs da vida, os traiçoeiros internos do PS, etc, etc, … ele há de tudo nesta estranha aliança.

O Parlamento no dia 25 de Abril deve fechar-se, porque tem estado a trabalhar.

Querem aproveitar esta pandemia e este medo instalado para destilar o ódio que sempre tiveram à democracia de Abril. Falo dos estrategas, dos instigadores desta campanha e não dos idiotas úteis que alimentam a “chama” na ignorância confrangedora do seu papel.

O 25 de Abril é a data mais identitária deste país das últimas décadas. Se há data que pode ser a nossa “imagem de marca”, como país, depois do 1º de Dezembro é o 25 de Abril.

Por isso esta falta de respeito, este achincalhamento, esta campanha pretensamente sanitária, mas ideologicamente anti-democrática, reaccionária e mesmo provocadora dos nossos símbolos nacionais e democráticos, tem de ser denunciada e combatida. Depois, quem não quer ser “idiota útil” que não lhe vista a pele.

Há vários níveis de comemorações, o institucional, na casa da democracia, no parlamento e o popular, nas ruas, onde o povo sempre as fez.

Sempre foi assim e é assim que se complementam as coisas na nossa democracia. Hoje, todos os cuidados sanitários devem ser observados, mas isso nunca esteve em causa.

Então qual é o problema?

O problema é que há que explorar uma época de crise e de medo para mais uma ofensiva contra o 25 de Abril e os seus símbolos, a sociedade democrática na sua génese, e colocar a democracia, a Constituição e os direitos constitucionais de quarentena.

Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da Republica, iniciou essa campanha contra os direitos constitucionais dos trabalhadores na declaração do Estado de Emergência, único na Europa, embora a imprensa se esforce por chamar “Estado de Emergência” a tudo o que de parecido se passa pela Europa, e não é verdade.

Tudo se assemelha ao nosso “Estado de Calamidade”. Ignorância da imprensa?Manipulação? Sobretudo uma grande incompetência e preguiça de analisar e ser exigente na linguagem. Mas quando na informação e na comunicação se menospreza a exigência e rigor da linguagem, ficamos com a imprensa que temos, “uma espécie de imprensa”.

Mas, dizia eu, que a decisão presidencial mistura direitos constitucionais da classe trabalhadora com as medidas de combate à pandemia, numa construção lógica inédita na Europa neste momento. Estava, no entanto, lançado o mote.

Só falta, pois ainda não tiveram coragem, mas talvez lá cheguemos, dizer que é a Constituição de Abril a responsável pela pandemia. Enquanto não se chega lá, a imprensa vai abrindo caminho, à exaustão, de que comemorar institucionalmente Abril no Parlamento é que não pode ser. Pois, se uma não pode ir à marcha nórdica, outro não pode ir ter com os amigos para a patuscada, outro ainda não pode ir à missa pascal, e outro não pode sair quando lhe apetece, porque raio aqueles políticos podem fazer a festa deles?

Percebem a construção perversa que se pretende fazer com esta argumentação?

Nada disto é inocente, nem as políticas informativas são inocentes, tão preocupadas em serem políticas opinativas, escolhidas a dedo, no sentido de condicionarem a opinião publica, e a manipularem, sobretudo a que tem menos defesas a esta propaganda constante e reaccionária.

Vamos lá a rebuscar o espírito de Abril, tão necessário nos tempos que correm… e acabem com a histeria anti-parlamentar, com tiques saudosistas ou salazaristas, e com a raivinha surda contra o 25 de Abril!…

Defendamos a democracia e as liberdades democráticas, denunciemos esta campanha, identifiquemos os seus agentes, sejamos objectivos e, com muita tranquilidade e firmeza, comemoremos um dos máximos simbolismos do nosso país, a segunda libertação efectiva, depois de 1640.

Viva o 25 de Abril, no Parlamento, nas ruas, nos bairros, nas varandas, em todo o lado possível.

25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!!!

Saúde e República!

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