Se um elefante incomoda muita gente, um padre na UDP incomoda muito mais! – por Mário Tomé

Era assim o nosso Padre Max. Se era Padre, era da Teologia da Libertação, como foi o Grande Alípio de Freitas, até deixar de ser padre. E o Fanhais e todos aqueles que,  apoiados na doutrina de Cristo, se ligaram à revolução e que, para a levarem mesmo a sério, tiveram que… libertar-se.

Foi hoje, dia 2 de Abril, que mataram o Max e a Maria de Lurdes numa estrada da Cumeeira, Vila Real. Todos sabem quem foram os assassinos, o próprio juiz no julgamento o disse, mas confessou a sua impotência perante a falta de provas materiais que tinham sido escrupulosamente eliminadas durante os dias em que, criminosamente, foram deixadas ao Deus dará, por ordem do Comandante da Polícia do Porto, o Major Mota Freitas.

Graças ao nosso querido Mário Brochado Coelho, o processo que se arrastou por cerca de trinta anos sempre sob ameaça de não levar a nada, deixou clara a conspiração perpetrada pelo gangue fascista de Alpoim Calvão e de Spínola, fugido à justiça pelo golpe do 11 de Março. Teve a paga do regime: Mário Soares conferiu-lhe a dignidade de Marechal.

O Padre Max morreu na luta pela Constituição promulgada no mesmo dia em que ele morreu. Morreu, veja-se lá, pelo direito fundamental à greve, ao protesto, à desobediência, à resistência. Direitos metidos num saco escuro e ameaçador chamado Estado de Emergência. Por estes direitos, referência máxima da democracia, morreu hoje o Padre Max.

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Inauguração da Rua Padre Max, em Vila Real.

E noutros dias, o Luís Caracol, o José Jorge Morais, o Albertino Bagagem, o Jorge Falcato Simōes, que ficou numa cadeira de rodas, e outros, vítimas dos guardiões do sistema que “estamos” todos os dias a avalizar em vez de confrontar, como se fazia… quando a democracia não estava  madura a cair de podre, era jovem, que jovem era, ainda pujante, não tanto pelas instituições, que pela Constituição lhe davam forma, mas porque os revolucionários a sabiam invocar e usar para confrontar o próprio sistema. É desse tempo e dessa experiência reflectida que se faz a força para a luta de hoje.

Que mais não fosse, e é!, para sermos dignos de Homens e Mulheres, como o Max e a Maria de Lurdes, aos ombros dos quais nos levantamos.

Mário Tomé

Coronel

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