Rui Moreira e os seus estados de emergência

Infelizmente, ao dia de hoje, há já muitíssimos contágios por COVID-19 em toda a área metropolitana do Porto, principalmente na cidade do Porto, em Gaia, Gondomar, na Maia e em Matosinhos. A região Norte tem já mais do dobro de casos da área de Lisboa e Vale do Tejo. Não vi, por parte do Governo ou da autoridade de saúde, ser assinalada nenhuma preocupação em particular por esta escalada assustadora no número de casos a Norte. Confio que haja uma estratégia para acorrer, proporcionalmente e em tempo útil, às necessidades das unidades hospitalares de todo o território. Todo o país tem de ser apoiado com os recursos humanos, materiais e financeiros disponíveis para salvar vidas e ultrapassar esta crise. Todo, sem excepção.

Por sua vez, Rui Moreira, que defendeu veementemente a declaração do estado de emergência no país, está agora indignado com as consequências que a drástica decisão poderá ter na “sua” cidade, sobre as quais muitos alertaram. Em comunicado declara que “deixa de reconhecer autoridade à senhora Diretora-Geral da Saúde”, após esta ter sugerido que poderia estar a ser equacionado um cerco sanitário à cidade do Porto.

Rui Moreira é o mesmo edil que nunca defendeu qualquer “estado de emergência” quando os pobres eram expulsos das suas casas e os trabalhadores cada vez mais precarizados à conta da bolha imobiliária e da monocultura do turismo na cidade. Mas isso são outros rosários. 

Não sabemos se a medida alegadamente ventilada pela Directora-Geral poderia ou não ser eficaz. Porém, tendo ou não razão, se não acatar as ordens da autoridade de saúde, Rui Moreira poderá, no limite, ser preso. Ele e qualquer cidadão/trabalhador que se recuse a acatar ou desempenhar uma decisão ou tarefa que o Governo ache necessária, mesmo que o cidadão/trabalhador conclua que não estão reunidas as condições de segurança ou equidade para as fazer. O direito à resistência (e à greve, no que o Governo achar por bem) está suspenso, nos termos do estado de emergência. E não deveria. Esperemos que não haja necessidade de o usar. Porém, relembro que não foi apenas Rui Moreira a pedir, aconselhar ou a autorizar com o seu voto, o estado de emergência.

Um pensamento sobre “Rui Moreira e os seus estados de emergência

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.