Covid-19: Chegou o tempo de parar

A tempestade perfeita?

Na quinta-feira de manhã, dia 19 de março, o “Escrito na pedra” do jornal Público publicou uma citação de Giovanni Boccaccio, um poeta e escritor florentino do século XIV. Certamente perturbado pela grande peste que dizimou na sua vida uma parte enorme da população europeia, consequência nesse tempo das dinâmicas de circulação de pessoas à escala do mundo então conhecido pelos europeus, escreveu que “mais vale agir na disposição de nos arrependermos do que arrependermo-nos de nada termos feito”. Desde então esta afirmação de Boccaccio nunca mais me deu descanso. Como ela bem definia a inação europeia a uma infeção devastadora, produzida por fatores distintos que, combinados entre si, rapidamente fizeram da Europa o epicentro da crise, com um balanço de vítimas mortais no qual um único país, a Itália, com uma população cerca de 25 vezes menor do que a chinesa, já conta com mais de 2.000 mortos do que na China.

Mas que fatores são esses, onde é que os governos europeus falharam?

Como acontece com qualquer fenómeno social, nunca existe uma causa única. Também com esta epidemia acontece o mesmo. É pertinente começar por uma possível causa que tem sido pouco discutida e que poderá ter assumido uma relevância crucial na propagação da infeção na Europa. Recuperando um evento pessoal longínquo, em meados da década de 1980 o meu pai comprou um Nissan Sunny. Uma das novidades, dificilmente presente em automóveis europeus da mesma gama ou mesmo superior nessa época, era a abertura do depósito de combustível desde o interior do habitáculo. Um par de anos mais tarde, em conversa com um amigo português casado com uma japonesa, vivendo parte do ano no Japão, lembrou-me que tal dispositivo era de suma importância para os orientais, pois permitia evitar o contacto físico da chave do veículo com o trabalhador da estação de serviço.

Relato esta memória pessoal para sublinhar que as sociedades colocam em ação distintos hábitos culturais que implicam diversos modos de relacionamento, incluindo o modo como usamos o corpo na interação com os outros e na própria relação com o espaço que nos rodeia. A proxémia, como a definiu o antropólogo norte-americano Edward T. Hall, há já mais de meio século, diz-nos que as distâncias físicas entre os indivíduos variam em função do contexto cultural e mesmo em função da posição de classe e do género. No caso europeu, e reconhecendo-se que o leque de modos de relacionamento é muito amplo, é admissível considerar que os europeus estão em situação particularmente sensível à infeção pelo Covid‑19, pois entre nós os beijos, os abraços e outros afetos são muito frequentes nas nossas interações sociais. Tal exigia um cuidado redobrado dos governos europeus, sobretudo quando não temos já memória de surtos epidémicos graves, ao contrário da Ásia.

Tendo acesso a informação fornecida por uma sobrinha impedida de viajar pelo governo chinês para este grande país asiático no início do ano, onde a aguardava um trabalho como professora numa escola de línguas, escutando os impressionantes relatos que lhe foram transmitindo desde lá sobre as medidas implacáveis de isolamento social em Hubei, rapidamente percebi que algo de muito grave se passava, comportando um risco de disseminação a outras zonas do mundo. Possuindo os países europeus corpos diplomáticos e os mais poderosos certamente serviços secretos na China e em países limítrofes, de quem terão recebido abundante informação, tal suscita as primeiras interpelações sobre as respostas políticas para conter a propagação do vírus. Como aconteceu com surtos epidémicos recentes (H5N1 de 2005 e H1N1 de 2009), os governos europeus comportaram-se como se tudo não passaria de mais uma sobressalto gripal, para cuja superação bastaria a sua mediatização e a disponibilização de gel desinfetante pelas repartições públicas, escolas, cinemas e outros lugares de grande concentração de pessoas, aliás algo que não aconteceu com o atual surto. Por outras palavras, é hoje evidente que a ação foi demorada e lenta, preferindo antes os governos agir a reboque dos acontecimentos e dos danos severos decorrentes da infeção.

Podendo ler-se esta atitude negligente como expressão de uma certa soberba eurocêntrica, com raízes fundas na dominação colonial, na qual pouco importa os que, neste caso, asiáticos fazem e nos dizem, havia principalmente que continuar com o business as usual, apesar das perturbações e do sofrimento que a infeção pudesse provocar. Jogando à roleta russa, quer dizer, com a vida das pessoas e da defesa da economia no médio e longo prazo em favor do curtíssimo prazo, a inação e a reação tardia e insuficiente dos governos europeus mergulhou os povos numa catástrofe sanitária. Num contexto em que a intervenção descoordenada e patética das instâncias europeias nos revela que, uma vez mais, a União Europeia pouco tem para oferecer aos povos europeus, embora seja muito útil ao grande capital, somos confrontados de novo com o rompimento da solidariedade europeia, tal como aconteceu com a grande crise da qual se tentava recuperar, quando o apoio solicitado pela Itália acabaria por ser respondido pela China e por Cuba. Como justamente acusa Yanis Varoufakis,[1] a resposta de quem tem capacidade para decidir na União Europeia, ao não mobilizar de forma atempada e adequada os necessários recursos financeiros, volta a trair os povos europeus. Repetindo o que fizeram em 2010, desta vez é também a saúde pública e a vida, sobretudo a dos mais frágeis, idosos e doentes, que é atingida.

Em nome dos interesses do capital, sejam eles os da produção de automóveis, máquinas e outros equipamentos ou simplesmente a manutenção dos fluxos turísticos, incluindo o do chamado turismo de saúde – não existindo certezas, aponta-se como possível paciente-zero em Itália um cidadão chinês que infetou o seu cirurgião – os governos europeus foram incapazes de desenhar e implementar medidas eficazes de controlo da circulação de pessoas provenientes, primeiro da China, onde o surto foi comunicado à Organização Mundial de Saúde pelo governo chinês a 31 de dezembro de 2019, depois de outras zonas e dos próprios Estados europeus. Já com a catástrofe instalada em Itália, Giuseppe Conte, chefe do governo italiano, afirmava que o controlo estrito das fronteiras não era necessário. E quando finalmente foram fechadas, lá se fez ouvir a chanceler alemã Angela Merkel criticando a decisão, algo que viria a repetir um par de dias depois quando o presidente norte-americano Donald Trump fez o mesmo, encerrando o espaço aéreo aos voos provenientes da Europa. Convocando uma interpretação genial acerca da economia de mercado por parte de Michel Foucault, em Nascimento da biopolítica, “a economia de mercado não subtrai algo do governo. Ao contrário, ela indica, ela constitui o indexador geral sob o qual se deve colocar a regra que vai definir todas as ações governamentais. É necessário governar para o mercado, em vez de governar por causa do mercado”.[2] Farol do neoliberalismo no mundo, mesmo que pigmentada pelo ordoliberalismo de raiz austríaca, a Europa continua, aos tropeções, com os governos a governar para o mercado, qual comité de defesa dos negócios da burguesia, parafraseando Marx e Engels. Custe o custar, seja o custo medido em poluição ambiental, esgotamento dos trabalhadores, agora em vidas humanas, pois “é necessário que a vida continue”, na formulação vulgar, repetida à saciedade, por António Costa. Como procurarei argumentar de seguida, trata-se de uma escolha mortífera que nos poderá vir a ter inveja da situação italiana.

Em direção ao desastre sanitário? O avanço da pandemia em Portugal.

Como é possível que esteja a acontecer esta crise, perguntarão os mais atentos, os que recusam o fatalismo, a falta de sorte ou, pior ainda, alguma explicação divina para a situação que vivemos? Não será a situação sanitária consequência da (in)ação do governo do Partido Socialista, reagindo sempre com atraso e de modo insuficiente?

Escrutinando as últimas semanas, ponteando com alguns factos uma breve e muito incompleta linha do tempo, no início de março, com apenas dois casos confirmados, António Costa garantia que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tinha 2.000 camas preparadas. Ainda só vamos em 1.600 casos, a maioria deles “tratados” em casa e o SNS já dá sinais de stress intenso. O que era certo num determinado dia passou a ser falso no instante seguinte. Talvez o exemplo mais ilustrativo seja o do encerramento das escolas. No dia 13 de março, quando a Organização Mundial de Saúde já tinha declarado o surto como pandémico, a Itália estava, repito, mergulhada no colapso, e a Espanha já muito atingida, o Conselho Nacional de Saúde Pública recomenda manter as escolas abertas. Sublinhe-se que o seu porta‑voz, Jorge Torgal, tinha afirmado duas semanas antes que o Covid-19 “é menos perigoso que o da gripe”,[3] o que nos leva a colocar as mais inquietantes dúvidas sobre a capacidade de análise dos problemas por parte dos nossos principais especialistas em saúde pública, incluindo no rol a atual diretora‑geral da saúde. Ainda não tinham decorrido 24 horas e já António Costa, feitor zeloso das ordens de Bruxelas, acata a recomendação para o encerramento das escolas emanada do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.[4] As mesmas hesitações se aplicam às fronteiras, agora apenas parcialmente encerradas. Fronteiras que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmava que não era eficaz fechar em 1 de março, cego ao desastre em Itália e às decisões do governo italiano.[5] Persistindo em alargar o caos às regiões autónomas dos Açores, António Costa continua a recusar a suspensão dos voos solicitados pelos governos regionais, ao mesmo tempo que manteve até data bem recente bares e restaurantes abertos. Agora continua a permitir que milhares de trabalhadores se desloquem todos os dias em transporte público sem equipamentos de proteção individual.

Amparando sem hesitações esta vertigem imprevidente, o Presidente da República não se coibiu de desvalorizar o surgimento dos primeiros casos, afirmando que seria estranho que tal não acontecesse, “havendo em todos os países vizinhos, próximos, para onde iam e donde vinham compatriotas nossos”.[6] E certamente turistas, que continuam a chegar ao país, terá esquecido referir. Assumido hipocondríaco, testou negativo e encerrou-se em casa, perante a suspeita de uma exposição ao vírus, depois de ter andado nas semanas anteriores a beijar e a abraçar toda a gente, desvalorizando o risco e assim agindo objetivamente como facilitador‑mor da propagação da infeção no país.

Podia ser pior? Infelizmente é difícil responder não… enquanto a pandemia vai fazendo o caminho por todo o território continental, alastrando aos Açores e à Madeira, percebemos que António Costa é incapaz de conduzir o país por um caminho seguro e humanamente decente. Revelando desfocagem cognitiva, ainda a “ceifeira da morte” mal começou o seu trabalho em Portugal, entrando agora em força pelos lares de idosos, e já nos fala da segunda vaga da infeção que, diz-nos, chegará lá para finais do corrente ano. Hoje percebemos que nada foi feito. Tendo o Covid-19 sido identificado em Itália no dia 21 de fevereiro, depois de ter provocado efeitos mortíferos na Ásia, enfrentar a pandemia requeria uma política de defesa da vida e do país, fundada no que já se sabia sobre a gravidade da infeção. Mas como o fazer, quando a displicência, já não otimista mas irresponsável, do primeiro-ministro o impediu de agir, antecipando os problemas, impondo medidas de controlo da circulação das pessoas, adquirindo os reagentes e equipamentos necessários para a testagem maciça de modo a identificar cadeias de transmissão, municiando o SNS com o que hoje sabemos fazer muita falta: máscaras e outros materiais de proteção individual, camas de cuidados intensivos e ventiladores.

 Não dá para mudar o começo, dá para mudar o final?

Aqui chegados, já sabemos que, como escreve Elisa Lucinda no seu conhecido poema Só de sacanagem, “não dá para mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final”. Mas como se muda? Qual o caminho, o que se pode fazer? Em confronto estão duas estratégias: a mitigação e a supressão. Enquanto a mitigação procura abrandar a disseminação sem necessariamente a interromper, já a supressão procura inverter o crescimento da epidemia, reduzindo o número de casos a um nível baixo, mantendo-o de forma indefinida, comportável com a capacidade dos serviços de saúde, nomeadamente em termos de cuidados intensivos.[7] Se a mitigação no curto prazo produz um menor impacto na vida social e económica, ela traduzir-se-á numa mortalidade enorme, em boa medida decorrente do colapso do sistema de saúde, sobretudo dos seus cuidados intensivos. Em contrapartida, a supressão implica severas restrições à mobilidade individual e às atividades económicas no curto prazo mas perspetiva bons resultados no médio prazo, como revelam os exemplos asiáticos, em especial o chinês.

Num momento em que a catástrofe sanitária acelera em Espanha, cientistas da área da epidemiologia, biologia molecular e da saúde pública do país vizinho acabam de recomendar o confinamento total.[8] Ao mesmo tempo, confrontado com o avanço mortífero do Covid-19, as críticas dos médicos chineses que lutam ao lado dos seus colegas italianos contra a infeção e a contestação dos trabalhadores e da Confederazione Generale Italiana del Lavoro (CGIL), a maior central sindical italiana, o governo de Giuseppe Conte, tarde é certo, opta pela supressão como estratégia para a abordagem da epidemia em Itália.[9] Tal implica, entre outras medidas, o confinamento total dos cidadãos e a suspensão de todas as atividades produtivas não essenciais.

Sabendo-se que o governo de António Costa persistirá até onde lhe for possível com a estratégia de mitigação, isto é, com a política da morte que nos levará ao desastre, indiferente aos modelos matemáticos que apontam para um cenário de colapso do SNS em meados do próximo mês e insensível aos resultados obtidos pela China e outros países asiáticos, só um movimento social e político poderá obrigá-lo a mudar de rumo. Para isso é necessário que a esquerda se mobilize, articulando nesta mobilização partidos, sindicatos e coletivos da sociedade civil. Ao mesmo tempo que defendemos as necessárias medidas de proteção e apoio social, especialmente as destinadas aos trabalhadores precários, aos inquilinos pobres e aos mais vulneráveis, como os idosos e os doentes crónicos, teremos de colocar a proteção da vida de cada cidadão no centro da ação política. Tal implica, neste combate imperativo pela defesa da vida humana, a oposição ao governo do Partido Socialista, a António Costa e seus ministros, aos quais se deverá atribuir a responsabilidade política pelo que está a acontecer.

A substituição da mitigação pela supressão parece permitir melhores possibilidades para a existência física de cada um de nós, mobilizando recursos que abrem o caminho, como aconteceu na China e noutros países asiáticos, como a Itália finalmente começou a tentar, para a redução das cadeias de contágio. Como estão a fazer países bastante mais pobres do que Portugal, que terão compreendido mais rápido e melhor do que os países europeus a gravidade da infeção, como bem nos mostra o testemunho de Thiago Grault Oliveira, in loco da Tunísia.[10] Para isso é urgente a mobilização dos recursos disponíveis, incluindo: (i) o confinamento estrito, implicando a paralisação das atividades económicas não essenciais (ii) a interrupção dos transportes públicos; (iii) o encerramento das fronteiras, incluindo a suspensão de todos os voos, com a exceção dos que assegurem repatriamentos; (iv) a testagem dos cidadãos, para despistagem da infeção, identificação das cadeias de transmissão e consequente aplicação de medidas profiláticas; (v) a distribuição de equipamentos de proteção individual, nomeadamente máscaras e luvas, em especial aos profissionais de saúde e aos trabalhadores dos setores essenciais; (vi) a requisição de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde a trabalhar em outras funções fora do SNS, bem como de estudantes dos anos terminais de medicina, de enfermagem e das restantes áreas da saúde.

Não ser possível mudar o passado implica admitir que vão morrer em Portugal centenas de pessoas. O contador da morte começou no dia 16, hoje, 22 de março, já vamos na casa das dezenas! Mas mudar o futuro constitui-se numa exigência moral tendo como objetivo tudo fazer para que o contador da morte não chegue à casa dos milhares. Trazendo à colação o editorial do jornal italiano La Repubblica de 12 de março,[11] no qual referia que a Itália era a cauda do diabo, devemos acreditar que, apesar do caos sanitário que confronta o Estado espanhol e a progressão da infeção para o oeste geográfico europeu onde nos situamos, seremos capazes de não sermos parte do corpo do diabo.

Por isso, a mobilização à esquerda de um forte movimento social e político exige criticar a estratégia de mitigação seguida por António Costa – que procura fazer a impossível quadratura do círculo, articulando a luta contra a morte com a manutenção em funcionamento dos setores não fundamentais da economia –, assumindo a defesa da estratégia da supressão,  a solução moralmente mais aceitável. Como bem perceberam os trabalhadores italianos e a sua grande central sindical, é a estratégia que pode proteger a vida dos trabalhadores, dos homens e mulheres que lutam todos os dias pela sua vida e por um país decente. Até o (aparentemente) tonto Boris Johnson parece ter entendido, embora continue fazendo pouco, quando foi confrontado com modelos matemáticos que apontavam para milhares de mortos no Reino Unido, caso persistisse na mitigação.[12]

A última campanha do Turismo de Portugal recomenda-nos repetidamente que “chegou o tempo de parar”.[13] Dando um outro sentido a esta manipulação publicitária, sim, chegou o tempo de parar a infeção. Estamos à espera de quê?

 

Fernando Bessa Ribeiro

Professor Fernando Bessa Ribeiro

Professor da Universidade do Minho, trabalha sobre capitalismo, sexo mercantil e infeção pelo VIH/sida. Coorganizador, com Octávio Sacramento, de Planeta sida: diversidade, políticas e respostas sociais, Edições Húmus, publicado em 2016.

 

 


[1] https://internal.diem25.org/events/557.

[2] Foucault, Michel (2008), Nascimento da biopolítica. São Paulo, Martins Fontes, 165.

[3] http://www.jn.pt/nacional/covid-19-e-menos-perigoso-do-que-virus-da-gripe-11867890.html.

[4] https://www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=163466&langid=1.

[5] https://www.plataformamedia.com/pt-pt/noticias/politica/augusto-santos-silva-diz-que-fechar-fronteiras-em-abstrato-e-uma-possibilidade-mas-nao-e-eficaz-11874079.html.

[6] https://rr.sapo.pt/2020/03/02/pais/marcelo-sobre-coronavirus-em-portugal-nao-se-deve-entrar-em-alarmismos/noticia/183834/.

[7] Sobre os conceitos de mitigação e supressão, bem como suas implicações em termos de política pública ver, entre outros, o relatório dos peritos do Imperial College de Londres em https://www.imperial.ac.uk/media/imperial-college/medicine/sph/ide/gida-fellowships/Imperial-College-COVID19-NPI-modelling-16-03-2020.pdf.

[8] https://elpais.com/sociedad/2020-03-21/un-grupo-de-cientificos-reclaman-el-confinamiento-total-de-la-poblacion.html.

[9] Cf. https://elpais.com/sociedad/2020-03-20/el-equipo-de-contencion-del-coronavirus-en-china-abronca-a-italia-todavia-hay-fiestas-en-los-hoteles.html, http://www.cgil.it/coronavirus-landini-atto-responsabilita-chiudere-attivita-non-essenziali/ e  https://ilmanifesto.it/contagio-non-si-ferma-conte-chiude-quasi-tutto/.

[10] Ver texto publicado em Convergência (https://convergencia-bloco.org/). Marrocos é outro país do Magreb que adotou a estratégia da supressão com especial rigor, sem paralelo com o que aplicou qualquer outro Estado europeu, incluindo a Itália e a Espanha (v. https://elpais.com/sociedad/2020-03-22/marruecos-se-situa-a-la-vanguardia-mundial-en-medidas-de-confinamiento-contra-el-coronavirus.html).

[11] http://www.repubblica.it/cronaca/2020/03/12/news/la_coda_del_diavolo_coronavirus_bce_lagarde_italia_covid_19_calcio-251122728/?ref=search.

 [12] http://www.theguardian.com/world/2020/mar/16/new-data-new-policy-why-uks-coronavirus-strategy-has-changed.

[13] https://www.youtube.com/watch?v=lFlFkGV207A&feature=youtu.be.

Um pensamento sobre “Covid-19: Chegou o tempo de parar

  1. O erro está precisamente em pretender para a infeção.
    O colapso do SNS dar-se-á, quando o número de internados e mais ainda, o número de infetados nos Cuidados Intensivos (CI) for maior que a capacidade instalada. Sabendo-se que quem vai para aos CI são os grupos de risco, era nesses e não na totalidade da população que deveriam ser colocadas as ações e os meios, evitando-se a estes e só a estes, a propagação da infeção, e desse modo que chegassem aos CI em número superior à capacidade do SNS, a que se somam por requisição os privados.
    Até por uma questão de meios de combate, é mais fácil impedir ou atrasar a infeção a uma parte da população ( de 22,5 a 30%) do que à totalidade dos 10M.
    Para isso haveria que mobilizar um número de jovens saudáveis com teste negativo e construir um serviço com coordenação nacional mas implementado localmente e enquadrado pela Proteção Civil, de forma a isolar os grupos de risco, em sua casa se isolados, em hotéis e toda a parafrenália de domicílios turísticos, e prestar-lhes os serviços de que necessitam: alimentação, higiene, medicamentos e cuidados de saúde básicos, etc., durante dois ou três meses.
    Entretanto o vírus proliferava entre os jovens saudáveis que continuariam a sua vida dentro do possível e tratados em cada, sem nada de mais, assim prevenindo e lidando melhor com uma inevitável segunda volta.
    O Bloco deveria ser capaz de propor esta nova estratégia.

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