TAP – trabalhadores deixados para trás em pleno estado de emergência

Em pleno estado de emergência, a administração da TAP decidiu mandar distribuir cartas e telefonemas de não renovação a 100 trabalhadores com contratos a prazoAlém destes, estão outros 300 já em licença sem vencimento. Alegadamente, por causa de um plano de contingência da pandemia do Covid-19.

A empresa declarou recentemente prejuízos na ordem de 118 milhões de euros. Ainda assim, a sua administração, responsável por 10827 funcionários, distribuiu 1,171 milhões em prémios a 180 “colaboradores” top. Na altura, o Governo do PS barafustou: — Prémios na TAP são “falta de respeito” para trabalhadores! dizia Pedro Nuno Santos. Curiosamente, o mesmo ministro que ainda há três dias ordenava a requisição civil de estivadores que nunca se recusaram a trabalhar, principalmente nesta crise, mas que ainda estão com salários em atraso de há pelo menos três meses. Mas adiante, cóleras e gritos do governo, mas até agora, que se saiba, não houve notícia de que a empresa aviadora tenha sido obrigada a recuar na sua decisão. E ai de quem se meta! – disseram, na altura, os seus gestores privados.

Algumas pessoas poderiam pensar que os 118 milhões, bem divididos, davam 11,710€ a cada trabalhador que agora ficará sem emprego. Que dariam, pelo menos, para que pudessem aguentar as contas de casa até que a crise do vírus passe e para ajudar no que virá a seguir. Mas não, não é boa gestão, pensarão os gestores da TAP.

A empresa foi privatizada na era PSD/CDS/Troika/Passos/Portas, pela mão de facilitadores como Arnaut e Cª.  Era uma emergência, diziam. Agora, resgatada pela metade no início da legislatura anterior, é detida em 50% pelo Estado. Metade, mas com este fora das decisões executivas. Outra emergência, explicaram-nos. Aqui chegados, algumas perguntas se impõem, e que têm de ter resposta:

Que dirá o Governo ao abandono de 400 trabalhadores, numa altura destas, numa empresa detida a 50% pelo Estado? E mais importante, o que fará? Se, no mínimo, não é para impedir situações como esta, pagou-se metade da TAP para quê, exactamente? Por que razão a declaração de estado de emergência, tão ansiosamente solta pelo Presidente da República e empurrada para as mãos do Governo, não acautela e protege explicitamente estes e outros trabalhadores de despedimentos encapotados e intempestivos, numa altura em que ficarão ainda mais vulnerabilizados? Se não, por que foi autorizada pela maioria dos partidos, incluindo os que tradicionalmente os defendem? Não era esta uma emergência previsível?

Imagem de destaque: © Jornal TAP: Quem é Antonoaldo

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